06 outubro 2011

afonsoabreutrio@hotmail.com


Pedro Caetano foto: divulgação/web

GUARAPARI E PEDRO CAETANO

Conheci o Pedro Caetano em Guarapari, creio que em 1964. Foi na farmácia do meu sogro, "Seu Sodré", na pracinha central. O ano de 1964 seria de mudança política. Entraria, depois daquele verão ensolarado, o Exército no comando do Gen. Castelo Branco que se estabeleceria por 20 anos... A primeira música do Pedro que conheci foi "Morena Boa", feita para a minha pequena cidade de Cachoeiro de Itapemirim na qual ele cantava "morena boa lá de Cachoeiro, Rio de janeiro tem mulher assim; de que vale ter mulher sobrando, se não tenho você perto de mim, eu abandono o Rio de Janeiro e vou pra Cachoeiro de Itapemirim..."

Quero dizer com isso, que eu ainda pequeno, já tinha conhecimento daquela pessoa que conheceria na farmácia do "Seu Sodré". Os anos se passaram... Eu e o Pedro fomos nos repetindo nos verões de Guarapari. Eu ai já conhecia a valsa maravilhosa, de Guarapari, hoje seu hino oficial. Essa Valsa de Guarapari fazia muitas moças se debruçarem nas sacadas e varandas, em serenatas memoráveis, feitas por Altemar Dutra, Antônio Adolfo, João Luiz Tironi, Simão, "Marimba", e muitos outros daquela época romântica. Eu guardei a valsa dentro de mim, até hoje...

Minha amizade com Pedro foi crescendo e, entrou pelos anos setenta, oitenta e início de noventa, 92, quando ele morreu no Rio de Janeiro, atropelado do quarteirão de sua casa, no Bairro de Fátima, Centro. Nesse ano, gravei o meu primeiro LP "Janela do Mar", no qual destaco "Guarapari", cantando ao invés de uma valsa, uma bossa nova, com arranjo do saudoso Maestro Dean Keenhold, multi- instrumentista norte americano, falecido em agosto de 2009 nos EUA, que até hoje tem a minha saudade... As cordas foram escritas pelo Paulinho Sodré, sutilmente...

Nenna, meu querido amigo, aceite estas linhas e saiba que tem muito mais aqui dentro do meu peito capixaba. Pedro Caetano ouviu do Claudionor Cruz o seguinte comentário: "Pedro, esse arranjo da sua valsa está muitos anos à frente" e foi assim, "a Lâmpada apagou e a vista escureceu..." Só saudade.

Um grande abraço do Afonso Abreu


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