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A mais desejada Desiderata acontece no momento certo. Já não agüentávamos mais esperar pelo dia em que capixabas brilhariam no Museu Ferroviário, um lugar tão querido e do qual se vê uma Vitória tão linda. O porto em funcionamento, as luzinhas do Centro. Aquilo tudo é muito nosso para não ser ocupado com as nossas coisas. Agora eu compreendi a estratégia da direção do museu, que em suas mostras anteriores desenhou uma trajetória representativa da produção nacional, permitiu respaldo ao espaço e preparou um ótimo cenário para os artistas locais. A mostra reúne 15 artistas representantes de diferentes estilos de produção, englobando três gerações do cenário contemporâneo capixaba. Estão ali a emoção de Andréa Abreu, a tridimensionalidade de Cirillo, a delicadeza de Edison Arcanjo, a sedução irresistível de Eliza Queiroz, o voyeurismo de Fabrício Coradello, a profundidade de Helio Coelho, a meditação de Hilal Sami Hilal, as possibilidades de Juliana Morgado, a mutações de Julio Tigre, a fertilidade de Lara Felipe, a visão cosmopolita de Lando, o poder de Rosana Paste, a ousadia de Rosindo Torres, o frescor de Thiago Lessa e a força de Yvana Belchior, todos sob o olhar da curadora Evangelina Seiler. Foi uma noite muito gostosa a da abertura. 11/04. Mesmo com a tensão que captei de alguns nomes da mostra. Nada mais normal em uma noite de estréia, principalmente tão especial. Procurei até saber se aconteceu algum tipo de stress nos bastidores, mas não apurei com muito afinco porque não quis me desencantar. A única coisa chata foi abrir as páginas dos jornais dos dias seguintes e dar de cara com o destaque que a presença do primeiro filho PHC ganhou nas linhas dos nossos colunistas. Os cadernos de cultura não cobriram o motivo essencial da mostra, apenas o social. É uma burrice sem justificativa, que só serve para nos colocar na triste posição de colônia. Mas não se preocupem, pois se o provincianismo ainda impera na nossa imprensa, ele já abandonou as artes há muito tempo. Fotos e texto: Janaina de Assis imprimir | volta ao alto da página | fechar |
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