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depoimento
Renato Costa Neto Da equipe inicial do Gazeta On Line. Leia também outros depoimentos sobre a História da Internet no ES. |
Renato Costa Neto ‘Fui à redação do JB On Line e vi que não era diferente’ Depoimento registrado por Gilberto Medeiros, em junho de 2006 e incluído no projeto "História da Internet no ES" Apresentador do programa Conexão Geral (TV Gazeta), Renato Costa Neto conta aqui sua participação na história do jornalismo capixaba na internet. O assunto é tema da pesquisa do repórter Gilberto Medeiros, que ouviu de Renato como era o dia-a-dia na redação do portal Gazeta On Line, onde começou a carreira como repórter da primeira geração daquele veículo. Quando você entrou no Gazeta On Line? Entrei em abril de 1996, tô há dez anos nessa brincadeira aí. O Gazeta On Line já existia, mas o Fernando (Künsch) tinha a idéia de colocar pessoas que não fossem só da área de informática, alguém que entendesse um pouquinho de internet – que à época (quase) ninguém sabia mexer – mas que entendesse também de jornalismo. Hoje é uma febre, né?, todo mundo quer fazer um site, blog, fotolog... mas em 1996, na Ufes, alguém se interessar por internet era muito raro. Não é que eu sabia de internet, mas eu me arriscava no PageMaker, no Corel... aí o cara acha que entende de informática, né? (Risos). Aí o André Passamani trabalhava aqui (na Rede Gazeta) e falou: – Ah, tem um amigo meu, o Renato, ele sabe mexer com computador, não tem medo de computador – e aí o Fernando falou: – Traz ele aqui – e aí começou a brincadeira... Então você chegou no começo, para fazer reportagens? O Fernando tinha funcionários que eram estudantes de informática, de Ciência da Computação e tal. Mas o que acontecia era que, para o diagramador, na hora de entrar uma foto, podia ser o Aureliano Chaves ou o Romário, se o Fernando não dissesse quem era, a foto ia entrar trocada. Então o Fernando queria pessoas que tivessem o discernimento de jornalista. E ao mesmo tempo, a idéia da Gazeta era ampliar um pouco mais o serviço e não só repetir o conteúdo do jornal. Até então, o Gazeta On Line era o jornal A Gazeta na internet. Fernando disse que logo que você chegou, se dispôs a fazer uma página do Campeonato Brasileiro. Deu certo? Lembro que passei uns três meses para perceber toda a parafernália e a gente percebeu que não era um monstro de sete cabeças. E nesse ano, não me lembro se 1996 ou 1997, a CBF e a Rede Globo decidiram que haveria um jogo do Campeonato Brasileiro no sábado à noite, logo após a novela. Aquilo pegou o jornal (impresso) de calça curta, por que o jornal tem aquilo de a edição de domingo rodar no sábado à tarde. E não dava para parar a produção por causa de um jogo e então decidiu-se que o jornal não ia cobrir aquele jogo de futebol. Aí que veio na minha cabeça uma pergunta: se o leitor do jornal não vai ter o resultado do jogo, por que a gente não faz isso pela internet? E ficou decidido fazer uma página sobre o Campeonato Brasileiro, todos os jogos, informações... aí fiz tabelas, aquelas coisas que todo site tem, a gente não ia inventar moda... mas o que era legal é que na noite daquele maldito jogo tinha de ficar até quase pra lá de meia-noite para atualizar tudo... mas o que é legal é que já no primeiro a gente teve resposta. Foi a primeira experiência de produto próprio, texto próprio, tudo! A gente não pegava texto de agência. A gente assistia o jogo e escrevia. A partir daí começaram a surgir outros (produtos). Eu ia ver um show, tinha máquina digital, então já fazia a cobertura e por aí foi. Tinha os eventos da Gazeta, no auditório, aí a gente ia lá, fotografava, fazia um texto. Como foi a evolução do Gazeta On Line, com mais jornalistas, coberturas... A gente foi fazendo essas experiências meio que por diversão e trabalho ao mesmo tempo. A gente percebeu que só funcionava na hora de montar o jornal e nas coberturas. E o mundo acontecia das oito da manhã até as oito da noite... vamos brincar assim... muitas coisas que a gente sabia que estavam acontecendo, greves de ônibus, a gente tinha que botar na internet, não precisava esperar o jornal ficar pronto para isso. E aí foi importante a equipe ter vários jornalistas, eu, o André (Passamani), o Gustavo (Tenório), Luis Paulo, Robertão (Teixeira)... a gente começou a publicar greve de ônibus, chuva, acidente, trânsito engarrafado e foi automática a mudança do perfil de acessos do Gazeta On Line. A gente tinha a linha de audiência, de meia-noite até duas da manhã, um pouco de manhã e depois caía, as pessoas só voltavam à meia-noite. O plantão de últimas notícias começou com uma pessoa ouvindo a CBN o dia inteiro. Eu fui ao Rio conhecer a redação do JB On Line. Não tinha nada de diferente! Eles também trabalhavam ouvindo as notícias pelo rádio, tudo igual ao que a gente fazia... imprimir | contato: taru@taru.art.br | fechar |