Nascido em Vitória a 19 de junho de 1970, desde cedo comecei a me interessar pelos dois eixos principais que dariam o sentido característico à minha vida: a música e a política. Desde criança aprendi a ouvir os mais variados ritmos nacionais e internacionais que tocavam nas rádios capixabas (que acompanhavam as tendências do país) e descobri ter uma enorme facilidade em aprender as canções, letras, autores, cantores, discernir os instrumentos e finalmente a cantar. Toda essa memorização "de ouvido" fizeram-me interessar ainda quando prestava o serviço militar (1989) na aprendizagem dos instrumentos com os quais eu me identificava. Comprei então minha primeira bateria que, depois de dominá-la, fui obrigado a me desfazer dada a reclamação da vizinhança. Meses depois comprei um violão (bem mais silencioso) e de maneira auto-didata fui conhecendo todas as suas potencialidades. Transferi toda a minha paixão pela música em horas de estudo ao violão (instrumento que, embora popular, considero dificílimo) e desse aprendizado constante percebo hoje o reconhecimento da sociedade: atuo como professor particular de violão, tenho a carteira de músico profissional e exerço as funções de cantor, compositor e músico violonista no Grupo Velas. Por acreditar que a Música Popular Brasileira seja a mais rica de todo o mundo, optei também por pesquisá-la a fundo, o que modestamente me qualifica a falar sobre o tema.
Por felicidade, fui convidado no início deste ano a apresentar o Programa Moqueka nas rádios Espírito Santo Am e Universitária Fm (um programa somente de músicas capixabas). O convite do Sindicato dos Músicos Profissionais do Espírito Santo - SINDMUSICOS - deu-se ao fato de além de eu ser filiado, trabalhei como locutor e operador na Rádio Tropical Fm em 1986. Desde então passei a me interessar e lutar pela Música Popular Capixaba. Aliás, o termo "lutar" é um viés nunca descartado em minha pequena trajetória.
Na década de 80, por determinação própria, ingressei nos movimentos políticos que afloravam pelo Brasil. Fiz campanha para o PMDB em 1982, participei das Diretas-já em 1984 onde pela primeira vez tive contato com as idéias do Partido dos Trabalhadores. Em 1987 participei da primeira diretoria da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas) de Vitória pós-ditadura e no ano seguinte fui eleito presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual, local onde me formei como Técnico em Contabilidade. Ainda no mesmo ano fui eleito coordenador-geral da CEC (Casa do Estudante Capixaba). É claro que em meio a esse turbilhão na juventude eu já era militante do PT. Internamente ao partido, fundamos o NESPT (Núcleo dos
Estudantes Secundaristas do PT) e por simpatia pelas idéias políticas ingressei na Tendência "Articulação de Esquerda" em 1992. No ano de 1988 o movimento estudantil atingia seu ponto máximo na Grande Vitória. A união dos estudantes era tanta que conseguimos inúmeras vitórias nesse ano contra as empresas privadas de transporte, as escolas particulares e o governo do estado. Desnecessário dizer as represálias que sofri quando obrigatoriamente íngressei nas fileiras do Exército Brasileiro em 1989 com o PT na Prefeitura de Vitória e Lula, um sério candidato à Presidência da República.
No ano de 1992 concluí o Magistério, meu segundo curso profissionalizante, ao mesmo tempo em que comecei a estudar História na UFES. Juntamente com um grupo de professores socialistas, formamos o Grupo de Estudos Paulo Freire (pré-vestibular de caráter popular para pessoas de baixa renda) que existiu até 1994. De 92 a 96 lecionei História nos 1º e 2º graus em diversas escolas da rede pública estadual e particular.
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