Maurício de Oliveira nasceu no dia 19 de julho de 1925 (na verdade, em 1924, pois seu pai lhe registrou um ano depois do nascimento) numa residência humilde ao lado do Forte São João (atual Saldanha da Gama), no antigo Porto das Pedreiras. Filho e neto de pescadores, alguns de seus parentes mais próximos já despontavam para a música. Porém, a má fama de boêmio dos músicos capixabas e a condição financeira da família fez com que seu pai, Sebastiao Rodrigues de Oliveira, lhe impedisse ainda criança de aprender o violão. Maurício recorda esse momento -"Quando eu resolvi ser músico, meu pai não gostou porque já havia um caso na família de um violonista tio meu (José Inácio Oliveira) que morreu de tanto beber. Se eu não quisesse ser pescador, eu teria que escolher outra profissão, menos músico".

A insistência do garoto Maurício (que já tocava cavaquinho desde os seis anos de idade) em aprender o violão lhe propiciou uma contribuição de seu irmão José Oliveira e do linotipista do Diário Oficial José Ruflno (ambos violonistas). Com toda essa ajuda, Maurício começava a entender a arte do Violão sem frequentar escola, de forma artesanal (auto-didata). Em 1936, quando Maurício e seu irmão José tocavam na Festa de São Pedro na Praia do Suá, apareceu um senhor admirado com a apresentação e lhes fez uma proposta. Era Clóvis Gomes, Diretor Artístico da Rádio Espírito Santo e os convidou para ingressar no rádio. Em 1937 formaram então a dupla "Os Irmãos Oliveira" e por mais de dois anos ensaiaram gratuitamente para a Espírito Santo, pois enquanto não houvesse a concessão do governo federal, a rádio não poderia entrar oficialmente no ar. Nesse espaço de tempo, as atrações musicais da rádio se encontravam permanentemente em Jucutuquara, na casa de Didi Chagas (a quem Maurício chama carinhosamente de "a Carmen Miranda capixaba"). Para lá iam Luís Noronha, Sucupira, Zezito Haddad, Clóvis Cruz e muitos outros. Estreando sua extensa programação em setembro de 1940, a Rádio Espírito Santo, em termos musicais, contava inicialmente com a Orquestra de Clóvis Cruz, o Regional de Luis Noronha, a dupla sertaneja "Sebastião e Peixinho" e "Os Irmãos Oliveira". Como podemos perceber, Maurício de Oliveira, apesar de ainda ser adolescente, mantinha um contato frequente com os maiores nomes da música capixaba.

Apesar de sua preferência pela MPB, Maurício de Oliveira nunca se mostrou sectário em relação às outras tendências musicais. Apreciador de Blues e Jazz, permitiu que suas habilidades fluíssem de forma eclética nas interpretações de clássicos nacionais e internacionais, músicas de influências latinas e até Beatles. Recentemente compós algumas obras para o teatro, como na peça "A Dança do Chico Prego", apresentada pelo Grupo Negraô. Em sua carreira artística, Maurício cataloga mais de cem composições (uma obra considerável, se levarmos em conta que são músicas instrumentais para violão ou regional, nos seus estilos variados como marchas, valsas, polcas, chorinhos, maxixes, etc.) e uma discografia em seu currículo jamais alcançada por outro instrumentista capixaba.