"Quem nunca viu um violio rir, cantar, chorar, lamentar-se, dançarou meramente conversar não viu o músico Maurício de Oliveira acariciar as cordasde seu Takamine, o violão utilizado por ele em suas apresentações.Nas mãos do mestre, este objeto inanimado de madeira com seis cordas se transforma.Cria vida e é capaz de arrancar suspiros involuntários da platéia,seja ela composta por duas ou duas mil pessoas. Como amante atencioso,Maurício de Oliveira conhece bem cada som de seu instrumento, e vê-lo tocaré um ato de profinido amor".
(Revista Som & Arte n0 01 - Setembro de 1996, pág. 05)


Evidentemente que a matéria aqui reproduzida retrata o respeito desta revista para com um homem que, aos poucos, construiu sua imagem interligada com a cultura e a música capixaba. Qualquer historiador ou mesmo um curioso pela história de nossa cultura fatalmente irá deparar-se com Maurício de Oliveira. Coincidência? certamente que não. Maurício de Oliveira com seus quase setenta anos de canções tomou-se o principal músico do Espírito Santo, uma referência como valor de nossa terra e como incentivador do rompimento das barreiras postas à música local. As homenagens hoje oferecidas pela sociedade capixaba são bons frutos, mas não o bastante. Existe sim o reconhecimento da pessoa e do músico Maurício de Oliveira, mas falta ainda o principal: a valorização. Quando nos reportamos à figura do mestre, na verdade, buscamos resgatar os outros tantos músicos, cantores e compositores que fizeram e fazem parte da música produzida em nosso Estado. Pessoas como João Pimenta, Carlos Papel, Chico Lessa ou Carlos Bona são continuadores de Pedro Caetano, Silvio Roberto, Didi Chagas, Serrano, Mundico e tantos outros. Todos eles estão ligados à história recente da cultura do Espírito Santo e, por consequência, a Maurício de Oliveira. A essa associação lógica evidencia-se a luta pelo reconhecimento e valorização da música capixaba. Todas as dificuldades hoje colocadas no que tange a sobrevivência de culturas locais (incluímos ai a cultura capixaba) não é de agora, mas de décadas.

A música produzida no Espírito Santo transborda na sua diversidade (embora de maneira ainda tímida) em quase todos os veículos de comunicação de nosso estado. Em outras regiões, a musicalidade capixaba dos anos 90 cai bem no gosto dos mais variados públicos e não é pra menos: o Espírito Santo é um dos poucos estados brasileiros onde mais se mesclou as diferentes culturas do nosso povo. Num passado mais distante, para cá vieram portugueses e negros que, junto com os índios guaranis moradores da região, preservaram, fundiram e difumdiram suas culturas. Não diferentemente, no século XIX, uma outra leva de imigrantes oriundos da Europa (principalmente italianos e alemães) se fixaram no interior do estado e trouxeram na bagagem suas raízes musicais, como a valsa e a polca. O desenvolvimento industrial registrado na Grande Vitória sobretudo a partir de 1960, fez com que um outro tanto de imigrantes dos mais longínquos recantos desta nação viessem para trabalhar como operários na construção de mega-empresas. Cariocas, mineiros, baianos, pessoas simples que aqui chegaram para tentar a melhoria de suas vidas ergueram empresas do porte da CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), CODESA (Companhia Docas do Espírito Santo), Vale do Rio Doce (implantada na década de 40) e Aracruz Celulose. Cada uma dessas pessoas, independente das gerações, trouxeram consigo diversos valores, hábitos e costumes próprios dos primórdios culturais de suas regiões originárias. De toda essa mistura resulta a cultura capixaba. Cultura capixaba?

Um dos assuntos mais polêmicos em voga e discutido por quem trabalha em produção artística no nosso estado é justamente a existência ou não de uma cultura capixaba. Os defensores da não existência afirmam que tudo o que se produz aqui em termos de cultura nada mais é do que um reflexo e continuísmo das influências culturais de outras regiões. Já os favoráveis afirmam que essas influências fundiram--se, gerando novas tendências comportamentais, sobretudo e mais claramente a partir dos anos 80. É claro que essas discussões não são infundadas, porém acreditamos que elas complementam-se, até porque a história da humanidade nos mostra que em maiores ou menores proporções, quando existe o choque entre duas ou mais culturas em diferentes espaços de tempo ou não, dependendo da identidade do povo com as suas origens e a força da contra-cultura, existe um movimento claro para a fusão, mas principalmente para a sobreposição. Em nosso caso particular, ninguém hoje afirmaria com certeza se na cultura do Espírito Santo houve sobreposição, composição ou mesmo aniquilamento. O certo é que, se tomarmos a tradição cultural da Bahia ou do Rio Grande do Sul por exemplo, verificaremos a fragilidade da cultura capixaba sob todos os aspectos. A própria História do Espírito Santo pode nos dar elementos que explicam este fenômeno: durante séculos nosso estado foi esquecido pela metrópole portuguesa, somente lembrada como área de defesa da região aurífera no século XVIII. Após a decadência das Minas e mesmo com o afloramento do capitalismo brasileiro, o desenvolvimento da economia local foi irrisório, se comparado aos outros estados do Sudeste. Citamos a economia por entender que esta é parte fundamental de uma sociedade, portanto, gerenciador central dos demais setores, porém, nos faltam ainda dados históricos complementares para o desenvolvimento deste assunto, pois pouco se trabalhou em história da cultura capixaba.

Sob o contexto cultural e em se tratando da música capixaba inserida na Música Popular Brasileira, devemos nós ter um cuidado especial. O emaranhado das influências são tantos que os menos avisados podem entrar em confusão. Para um simples esclarecimento, basta dizer que a música capixaba está intimamente ligada a dois eixos principais que se complementam. 1º- A partir dos anos 50, a indústria fonográflca no Brasil, com a maioria de suas matrizes na Inglaterra e Estados Unidos, promovem uma avalanche de músicas orquestradas e/ou cantadas em inglês. Rapidamente esses ritmos estrangeiros invadem as rádios, bailes de gala, cassinos, night clubs e finalmente a televisão. De lá pra cá, a cada ano uma novidade: orquestras, blues, jazz, valsa, bolero, polca, rock, twist, rock progressivo, rockpop, heavy metal, funk, melody, dance music e tantos outros. Gostos à parte, os músicos capixabas absorveram todas ou pelo menos algumas dessas influências. 2º- O Espírito Santo está encravado entre os estados que praticamente determinam o comportamento político, social e cultural do país: proximidade com São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Não convêm aqui desmembrar os diversos fatores históricos que determinaram as concepções politico-geográficas atuais. Basta saber que recebemos uma carga musical representativa dessa área focalizada: maxixe, catira ou cataretê, moda, jongo, folia de reis, calango, ciranda, coreto, congada, maçambique, sambas (chorinho, enredo, partido alto, de roda, pagode, de breque, canção, bossa-nova) e outros vários. Apesar de muito, ainda não é tudo. Foi principalmente a partir dos anos 80 que a indústria fonográfica investiu pesado nas chamadas músicas descartáveis por toda a América Latina (em nosso caso o Espírito Santo), cuja duração não ultrapassa a dois verões: salsa, lambada, samba-reagge, timbalada, merengue e axé music fecham o círculo daquilo que poderíamos chamar de verdadeira "moqueca capixaba".

Entretanto, a música produzida no Espírito Santo de fato soube dar preferência às variantes raízes da Música Popular Brasileira. E se a tendência hoje da maioria absoluta dos veículos de comunicação é propagar a extrema pobreza musical (citamos pobreza musical nos seus termos técnicos, onde não existe variaçôes de notas, acordes, ritmos, harmonias e melodias que são composiçfies essenciais na formação daquilo quechamamos música) "importada" ou inventada da noite para o dia, não fica difícil concluir o quanto é complicado viver de nossa cultura. É preciso então resistir.

Num passado não muito distante, os valores da música capixaba emergiram naquele que seria o maior fenômeno de comunicação:a 09 de setembro de 1940, entra oficialmente no ar a Rádio Clube Espírito Santo (PRJ-9 - A Voz de Canaâ). Primeira rádio a atuar no estado, a Espírito Santo cativou os ouvintes capixabas por oferecer uma programação padrão bem a gosto da época, com orquestra popular, conjunto regional, artistas populares, dupla caipira, show de calouros, programação infantil, grupos de teatros e locutores esportivos. Nela, os músicos e cantores capixabas sentiram pela primeira vez a possibilidade de sucesso perante o público. Sobre este tema nos diz Osmar Silva:

"... a então Rádio Clube Espírito Santo marcaria afase mais efervescente do movimento artístico contemporâneo do Estado, revelando toda uma geração de instrumentistas, compositores, grupos e intérpretes".

Existem alguns consensos entre os musicólogos e historiadores que pesquisam a Música Popular Brasileira do século XX. Dentre esses consensos, aquele que dá ao início do rádio no Brasil o tributo de ser o divulgador maior da música nacional em nosso território parece-nos ser o mais completo. Essa conclusão sobrepõe ao passo em que as dificuldades de divulgação das canções iam desde a ausência de gravações em consistentes quantidades para o mercado até o próprio reconhecimento do músico brasileiro, e consequentemente da música brasileira. O rádio enquanto elemento fundamental para a idéia de "brasilidade" ou nacionalismo, trouxe aos seus microfones artistas que se imortalizaram em sua essência, promovendo a identidade cultural (principalmente às classes menos abastadas) do povo brasileiro. Instrumentistas, cantores e compositores do quilate de Noel Rosa, Pixinguinha, Lamartine Babo e Ah Barroso brotavam no cenário radiofônico e ditavam os novos rumos que a música brasileira havia tomado.

No Espírito Santo das décadas de 30 e 40, as músicas mais populares pertenciam ao carnaval capixaba. Quando falamos "populares", queremos dizer músicas conhecidas e cantadas por um grupo pequeno de pessoas, não de todos segmentos sociais e muito futura menos de todas as regiões, concentrando-se mais nas classes privilegiadas frequentadoras dos bailes de gala e nos humildes foliões das avenidas do centro de Vitória.

Nesse período carnavalesco que os músicos e compositores capixabas mais se destacavam, pois havia uma série de "competições" que movimentavam o público participante do carnaval de rua ou dos clubes da capital. A essa rivalidade dos blocos de rua e dos clubes de Vitória que podemos observar de forma mais concreta e aos poucos a sedimentação da música local. Claro que as canções tinham, além do carnaval, outras formas de manifestação. O Congo, principal manifestação folclórica do capixaba, apesar de errôneamente ser considerado um ritmo exótico, manteve seus valores e sua tradição, assim como os grupos e corais dos descendentes de italianos e alemães que também preservaram suas raízes no interior, e na Capital, clubes como o Saldanha da Gama, Náutico Brasil, Álvares Cabral e Clube Vitória mantinham permanentemente suas orquestras, promovendo os bailes da cidade que atraíam a sociedade capixaba para as tardes e noites dançantes.

Foi justamente num convite para se apresentar com o seu grupo "Os Tangarás" na casa City Clube, localizada na Praça Costa Pereira, que o carioca Clóvis Cruz chegou a Vitória. A importância histórica deste acontecimento reside no fato de Clóvis Cruz ter trago em sua bagagem a experiência musical e o contato com a MPB necessários para a organização e a identidade da música capixaba. Em suas orquestras e grupos ao longo dos anos trabalharam com ele talentos de nosso estado que tiveram destaque local e nacional como os pianistas Lauro Miranda e Hélio Mendes (que Maurício de Oliveira tocaria junto durante 2 décadas), o saxofonista José Haddad Filho (Zezito Haddad) e o trumpetista Cícero Ferreira. Além de trombonista e líder dos grupos que participou, Clóvis Cruz também destacou-se como um excelente compositor de marchas carnavalescas. Juntamente com Moacyr Araújo compuseram a marcha "Ôba", vencedora do primeiro concurso de música carnavalesca no Espírito Santo (1936). Desde então, as marchas produzidas pelos compositores capixabas intensificaram-se e os assuntos abordados em suas letras normalmente representavam o cotidiano da cidade num tom de romantismo e de humor. Os clubes da Capital possuíam vários blocos, como o "Picolé", "Solta a Nêga", "Coquetel de Risos", "Turunas" e "Garotas Perigosas". Cada um desses blocos defendia as marchas compostas com exclusividade e ensaiavam exaustivamente às vésperas do carnaval. Todo esse esforço garantia a animação local.

O ano de 1940 marca a abertura do rádio capixaba para um público até então bem acostumado a ouvir e cantar as canções folclóricas e carnavalescas de nosso estado antes dessa nova era. Neste ponto, aliás, o Espírito Santo seguiu o movimento artístico musical do cenário brasileiro, onde os compositores populares tiveram que optar ou não pela divulgação via rádio de suas músicas. Esse momento foi decisivo para quem resolveu ingressar na novidade que era o rádio capixaba, pois além de conquistar o grande público, estes poderiam exaurir do imaginário popular a idéia simples do músico fanfarrão e sem rumo na vida, confundidos muitas vezes com a malandragem boêmia ftequentadora da Vila Rubim e dos bares do centro da cidade. Não que boa parte desses músicos não fossem boêmios, mas o fato é que pela primeira vez (independente de gravação fonográfica) a música produzida no Espírito Santo contava com ouvintes das mais diversas camadas sociais. Porém, o espaço da efervescente produção capixaba era limitado, predominando as canções provenientes do Rio de Janeiro e dos Estados Unidos, então, o músico capixaba mostrava-se bem mais como intérprete do que compositor. Outro momento decisivo para nossos músicos a partir dos anos 40 foi a escolha de sair ou não de Vitória. Ficar em Vitória significaria a tentativa de alcançar apenas o reconhecimento local, pois foi no Rio de Janeiro que os artistas de todo país viram as possibilidades de profissionalismo e reconhecimento nacional.

A visão romântica e inocente dos compositores capixabas em relação ao patrimônio cultural que eles estavam formando no Espírito Santo durante os anos 30, 40 e 50 acabou por extinguir suas obras quase completamente. O que ainda resta deste período está na memória daqueles que acompanharam o fomento musical e relataram como lamentável o desaparecimento de milhares de canções em seus mais variados estilos. A essa perda junta-se aí alguns fatores: o Espírito Santo era extremamente deficitário no aprendizado técnico da Música, não haviam escolas especializadas, pouquíssimos eram os livros e professores, o que explica porque muitos compositores não tocavam instrumento algum. Aqueles que tocavam normalmente eram auto-didatas de cuja família descendia outros músicos, e por conseguinte, mostravam-se impossibilitados de ler ou escrever partituras. Por fim, a ausência de gravação fonográfica no estado, seja através de fitas ou discos, anulava de vez a chance de qualquer canção dos primórdios capixaba almejar a posteridade. Este episódio apenas romper-se-á no momento em que parte dos músicos migrarem para os chamados grandes centros culturais.

Um dos primeiros capixabas a romper com esta impotência local foi Jair Amorim. Compositor de muitas marchas que fizeram o carnaval de Vitória, Jair logo percebeu que seu talento somente tomaria outros rumos se fosse para a capital do país. Desembarcou em 1941 no Rio de Janeiro e no começo, para se manter, trabalhou escrevendo crônicas nas revistas Carioca e Vamos Ler, tendo logo após se tomado locutor na Rádio Clube do Brasil. Os anos seguintes fizeram de Jair Amorin um dos maiores compositores da música brasileira. Junto com o cearense Evaldo Gouveia, Jair colocou seus inesquecíveis sucessos como "Conceição" na voz de Cauby Peixoto, "Alguém me Disse" com Anísio Silva e "Tango Para Tereza", interpretada por Ângela Maria. Mas foi na voz de Altemar Dutra que Jair Amorim lançaria seus maiores sucessos. Não existe brasileiro apreciador da MPB que não conheça "Brigas", "O Trovador" e "Sentimental Demais".

Esse fluxo migratório para os grandes centros artísticos tornou-se necessário para quem se viu na possibilidade de galgar um sucesso maior. E foi sobretudo a partir dos anos 50 que músicos, cantores e compositores capixabas (orientados pela tendência cultural do país) seguiram para o Rio de Janeiro, São Paulo e exterior. O apêgo popular pelo rádio e logo também pela televisão fizeram com que surgisse no cenário artístico brasileiro talentos como Roberto Carlos, Waleska, Nara Leão, Paulo Sérgio, Maysa, Raul Sampaio (autor de sucessos como "Meu Pequeno Cachoeiro" e "Meu Pranto Rolou", esta última gravada por Toquinho e Vinícius de Moraes), Sérgio Sampaio (fez parte do "Grupo dos Malditos da MPB", juntamente com Miriam Batucada, Jorge Mautner e Raulzito. Filho de Raul Sampaio, foi parceiro e amigo de Raul Seixas. "Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua" tornou-se sua mais conhecida composição), Sandra de Sá, Don Um (baterista de Sérgio Mendes nos EUA), Zé Renato (integrante do Grupo Boca Livre) que é autor de músicas como "Ánímá" em parceria com Milton Nascimento, "Toada" e "Quem Tem a Viola", além de outros tantos.

A falta de profissionalismo, as dificuldades financeiras e o desinteresse aliado à descrença dos meios de comunicação, do Governo do Estado e do empresariado local, juntamente com a invasão massiva das canções estrangeiras ceifaram a evolução musical no Espírito Santo. Quem não partiu para um grande centro observou desconfiado o cerco das possibilidades, as limitações graduais dos artistas nas rádios, o fechamento de cassinos e a decadência das casas de espetáculos. Esse triste episódio teve seu apogeu nos anos 60, época em que no mundo estoura o estilo Rock and RoIl. A juventude capixaba passa a orientar-se pelos modismos inglês e norte-amencano, os veículos de comunicação seguem esse movimento e os clubes do estado determinam o fim de suas orquestras, conjuntos e regionais, dando preferência a bandas juvenis de três a quatro membros com péssima formação musicista.

Observando toda essa movimentação, Maurício de Oliveira, de longe o músico capixaba mais conhecido fora do Espírito Santo, também teve motivos e inúmeros convites para sair de Vitória, mas ele nunca quis. Maurício lembra que os músicos capixabas ficaram chocados com o sufocamento: -"Eu tocava no Conjunto do Hélio Mendes, e de mãos atadas nós vimos lentamente a perda dos nossos espaços para bandas de rapazes que sequer conheciam os acordes básicos. Eu fiquei triste, chateado, mas depois de um certo tempo o Hélio entrou em profunda depressão". Alguns amigos bem sucedidos de Maurício queriam que ele deixasse o Estado, como nos conta: "...fui convidado por Jair Amorim para ficar no Rio de Janeiro, mas eu nunca simpatizei com aquela cidade por acreditar que a Capital do Brasil engolia as pessoas e era um lugar de muitas ilusões para a maioria dos músicos. Eu sempre me achei meio maratimba e Vitória é a melhor cidade para se viver". Sobre algumas das propostas para o exterior, continua Maurício de Oliveira: - "O governo americano me convidou para ser professor de música brasileira em West Virgínia, mas não quis. Em 1955, por intermédio de Gaia, fui convidado também pelo governo polonês para dar aulas de violão em Varsóvia, mas, juntamente com minha família, não aceitei".

Daqueles que não quiseram ou não puderam sair de Vitória, de certa forma, Maurício foi o único privilegiado. Financeiramente não conseguiu nada exorbitante com o seu trabalho, mas o necessário para lhe propiciar uma vida confortável e também para sua família.