Alguns episódios que marcaram a vida de Maurício de Oliveira
Quando o famoso apresentador de auditório César de Alencar veio à Vitória para fazer o show da Rádio Nacional, ele teve o primeiro contato com Maurício, que era um dos músicos acompanhantes do evento e se impressionou com o rapaz, logo convidando-o para tocar na Rádio Nacional. Este momento foi um salto fundamental na carreira de Maurício de Oliveira em todos os sentidos: O Programa César de Alencar era o mais ouvido do país entre os anos 40 e 50. A perfomance de Maurício no Rio de Janeiro mudou a opinião do seu Sebastião (que logo comprou o primeiro violão do filho). A partir de então, Maurício fez várias viagens ao Rio, apresentando-se sempre com os grandes nomes da MPB da época, como Altamiro Carrilho, Dino, Canhoto, Valdir Azevedo, Abel Ferreira e Dilermando Reis, assim como também acompanhando na Rádio Nacional cantores como Marlene, Emilinha, Francisco Alves e Orlando Silva. Em 1952, Maurício toma-se o pioneiro dos músicos capixabas e grava seu primeiro compacto simples com as músicas "Esplanada" e "Ardiloso". Nessa mesma época assmne o cargo de Diretor Artístico da Rádio Espírito Santo, o que lhe propiciava tanto em apresentar os músicos famosos do estado e do Brasil, como também os novos valores que surgiam.
Foi nesse período de "caça aos talentos" que Maurício conheceu um de seus mais saudosos amigos: Altemar Dutra. Altemar morava em São Torquato (Vila Velha), sendo recém chegado de Aimorés (MG). Ainda no início de sua carreira, Altemar Dutra cantou em Cachoeiro do Itapernirim antes de desembarcar em Vitória, e quando aqui chegou, seu interesse maior era cantar na principal rádio do estado, a Espírito Santo. Maurício nos conta o encontro entre os dois: -"Eu estava na Rádio quando o Mundico (pistonista) chegou pra mim e disse que tinha um garoto com um violão na escada. Conversando com o garoto, ele me disse que queria fazer sucesso no rádio. Realmente sua voz era belíssima e, apesar de estar cansado de ver os meninos prodígios (que alteravam o tom de voz por causa da puberdade), eu resolvi fazer um teste com ele. Altemar cantou algumas vezes nos programas da Espírito Santo e um dia me confidenciou que queria aprender violão comigo, afim de acompanhar melhor suas músicas. Bom, Alternar estudou comigo durante um ano". O final desta história já é de domínio público: Altemar Dutra vai pro Rio de Janeiro levando na bagagem um bilhete de recomendação para Jair Amorim. Anos mais tarde, depois de gravar o seu primeiro disco pelo selo Odeon, Altemar toma-se um sucesso nacional. Mas quem teria mandado o bilhete de recomendação para Jair Amorim? o próprio Maurício nos explica este fato até hoje oculto: - "Alternar me procurou um dia dizendo que ia um cidadão pro Rio de Janeiro querendo levá-lo. Poderia ser uma chance e como eu era amigo do Jair Amorim e do Joel Guilherme (famoso locutor da Rádio Espírito Santo que transferiu-se para o Rio), ele pediu para levar um bilhete meu de recomendação. Eu nunca disse isso a ninguém".
Uma das imagens que mais marcou a adolescência de Maurício de Oliveira foi a das crianças brincando amarelinha na beira da Praia do Suá. Maurício ficava sentado em meio aos pescadores que passavam o final de tarde ali conversando e pensava em imortalizar aquela imagem numa música. Alguns anos mais tarde, o mundo estava saindo de uma guerra dolorosa que matou mais de 30 milhões de pessoas. A palavra "paz" era algo sagrado na época para quem buscava uma vida mais solidária entre os povos, principalmente o povo europeu. Em 1952, Maurício compôs "Canção da Paz". Nesta música, ele retratou tanto a imagem das crianças quanto o movimento pacificador do período, sendo que em 1955 sua canção pela paz atingia o 2º lugar no 5º Festival Mundial da Juventude em Varsóvia. Mais do que a simples premiação, Maurício foi um dos primeiros brasileiros a ter o seu trabalho musical reconhecido em importantes centros artísticos do mundo, conquistando a oportunidade de se apresentar em outros países da Europa. Os veículos de comunicação no Brasil não fizeram um "grande alarde" em tomo da trajetória européia de Maurício, mas as pequenas informações que circulavam nos jornais o ajudaram em muito a ter o respeito perante os demais músicos brasileiros e, em especial, do povo capixaba.
Nos anos 60 e 70, Maurício de Oliveira aceitou seu maior desafio, colocado pela gravadora London Music. Ele teria que gravar as complicadas obras para violão dos imortais Heitor Villa-Lobos e Ernesto Nazareth. Maurício conhecia desde menino boa parte das músicas dos dois compositores, mas nunca havia pensado em interpretá-los. Foram meses de estudo em tomo das composições de Villa-Lobos e Nazareth, mas todo esse esforço valeu a pena: a coleção foi lançada simultaneamente no Brasil, Estados Unidos, Europa e Japão. Por consequência, Maurício de Oliveira concretiza sua posição entre os maiores violonistas da Música Popular Brasileira.
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