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Ilha em Movimento

Vitória, a ‘Ilha do Rock’, ferve com a terceira edição do Ilha em Movimento. Em quatro noites alucinantes o público presencia o maior festival pop do Estado, que rola nas areias de Camburi, no palco-réplica do Teatro Carlos Gomes.

Edu Louzada, organizador do evento, manteve a tradição de unir as bandas locais prediletas do público capixaba à representantes dos mais variados estados. Ano passado, na segunda edição do festival, as novidades foram a turma da Farofa Carioca (RJ), os malucos do Baya e Rock Boys (RJ) e os brasilienses do Maskavo Roots.

A Galera da Ilha esteve presente com destaque para os reggaeboyz Java Roots, o Pé do Lixo (prestes a brilhar na MTV), Lordose Pra Leão (num show impecável) e a Manimal, que fechou o domingo com um dos mais emocionantes shows que já fizeram. Foi em 99 que a manimal lançou o hit ‘Água de Benzer’, hino da galera da ilha. O fanzine Ao Vivo marcou presença com uma edição especial, que apresentou um ‘completo’ ‘rusrú’ (quem é quem), de cada banda participante.

O ano 2000 trouxe mais novidades para a rapaziada: durante o festival a produção lança o CD Ilha em Movimento, coletânea com dezessete bandas capixabas. Outra noticia boa: a entrada continua g-r-á-t-i-s!

Mais uma vez toda a promoção do evento fica à cargo da Rádio Cidade, a exemplo da edição 99, do Dia D e do Movimento na Curva, eventos que sem dúvida mudaram a cena local. Quer saber mais sobre o festival Ilha em Movimento? Fica ligado na 101,5 FM!

Quem tocou?

Quinta, 03/02

- Régui na cabeça! Com 50 minutos de atraso causados pela chuva, a programação (que estava prevista para iniciar às 20 horas) da primeira noite da terceira edição do festival Ilha em Movimento começou com a banda Herança Negra, uma surpresa pra mim. Tocaram um reggae com batidas pesadas, tipo baixão no talo e bateria alta pra caramba. O som é parecido com O Rappa, o que contribui, mas ao mesmo tempo atrapalha a banda. Explico: além desta semelhança sonora, os caras ainda tocaram duas músicas do repertório da banda carioca. Como se não bastasse, o vocalista parece obstinadamente querer ser o Marcelo Falcão, d’O Rappa.

Na fita, a Jahcareggae de Brasília apresentou show redondinho. A crítica: a música “Mamãe vai ser Vovó”, meio chatinha.

Java Roots subiu ao palco às 23h55 mandando bem. Abriram o show com ‘O seu novo mundo’, mostrando sua força junto ao público. Chocolate comandou a galera “Cadê essa Ilha?”, que prontamente respondeu “u-húúúuuuuu”. ‘Bonde 605’ atingiu o clímax da interação Java-público: saudada com mais “u-húúúuuuuu” e acompanhada de cabo-a-rabo por quase a totalidade da galera (sei lá, três ou quatro mil pessoas).

A SalvAÇÃO completou a noite segurando a onda legal. Esses caras conquistaram seu espaço transferindo sua base para São Paulo, onde residem desde setembro passado. Já excursionaram com Junior Marvin, regueiro da ‘era de ouro’ do ritmo jamaicano, tendo integrado a banda The Wailers. Conhece? Rolou um puta show, com destaque para “Pode crer” e “Altas Ondas Astrais”

Quem vai tocar?

Sexta, 04/02

- Noite pesada, ma non troppo Segundo dia de festival, o som começa a ficar mais pesado, quase révi métchu. Os cariocas do Grave abrem a noite seguidos pela banda mais pesada da ilha, Lordose Pra Leão (juntos, os integrantes ultrapassam 500 quilos! Você diz que não é révi?). Velhos conhecidos do público capixaba, os ‘camaradas’ do Squaws detonam seu porradeiro-tecno-punk-Rage Against-hardcore. Não vão faltar hits tipo ‘Tô Legal’, ‘Quem São Vo6?’ e ‘Corra, Otário’ (em parceria com Marcelo Falcão, d’O Rappa!) Pra encerrar, a reciclagem sonora do Pé do Lixo, destaque na MTv, no Dia D, no Soul do Mangue (Recife), no Sonzeira (Beagá), no festival de Todas as Tribos (Rio), na Folha de São Paulo, na TV Educativa e na ShowBizz!

Sábado, 05/02

- Révi métchu du carai! A noite de sábado foi reservada exclusivamente para bandas da terra: Silence Means Death (lembra da banda Thor e do Fábio Boi?), os ‘internacionais’ do Siecrist, Mukeka Di Rato (louvada por João Gordo do Ratos de Porão e bem escutada pelo casal Pato Fu, John e Fernanda). Conheça Gaiola, o disco mais recente do MDR, via Audioteca Y. Finalizando a noite tem Dead Fish, responsáveis por nada mais nada menos que o melhor e mais contundente disco lançado por uma banda capixaba. Intitulado Sonho Médio, o segundo CD do Dead também pode ser ouvido na Audioteca Y.

Domingo, 06/02

- Vamos pegar leve porque domingão é a última noite da maratona pop. Pra começar em alto-astral, a banda Crivo, destaque na ShowBizz e Folha de S. Paulo por conta de sua participação no Dia D. Em seguida, Birinaite (MG) e Zippados (também de Minas). Do Rio, vem o Pedro Luís e a Parede, banda boa pra caramba e que emplacou a música Motoboy na trilha da novela global Vila Madalena. O rockongo da Manimal, banda capixaba que prepara seu segundo disco para lançamento este ano bota a galera pra balançar o esqueleto em Camburas. Duas das novas faixas, Bino Santo (congo) e Água de Benzer (funkeadíssima) o público já conhece bem. A banda costuma encerrar seus shows tocando Água de Benzer com participação de integrantes de bandas locais. Manimal também está na Audioteca Y. Ouça!

Courtney Love (acho melhor Courtney Hate), de novo

Courtney ‘Hate’, líder do Hole, viúva de Kurt Cobain e xarope de carteirinha, partiu pra cima da fotógrafa Mira Honeycutt, na festa-homenagem a seu novo filme, "Beat". O filme conta a vida do escritor William S. Burroughs. Mira é esposa de Kirk Honeycutt, repórter da Hollywood Reporter, tradicional veículo sobre entretenimento nos EUA.

Segundo o New York Post, o maridão Kirk tentou revidar, chegando a cerrar o punho e partindo em direção à Courtney, mas não desferiu o golpe.

Tá na Cidade! Tá na Cidade! Tá na Cidade! Tá na Cidade!

Desde o último sábado (29 de janeiro) o fanzine Ao Vivo e a Revysta.com marcam ponto no programa Cidade do Rock, na rádio Cidade FM 101,5. As notícias mais quentes da cena capixaba, que vão ao ar todas as sextas pelas ondas da uébi (www.revysta.com), agoram chegam à um novo público: a galera fissurada nas ondas do rádio (101,5 FM).

Gisela Garcia, editora da revista Na Lata, passa a partir desta semana a colaborar com o fanzine. Falando (escrevendo) de tudo sobre tudo, ela começa distribuindo porrada. Nada como uma mulher decidida!

500 anos trocando a riqueza da nossa terra por espelhinhos e matando a natureza.


por Gisela Garcia

Há quinhentos anos o Brasil era índio, mato, rio e mar. Aí chegaram os barcos de Portugal para levar nossas riquezas. Em troca davam espelho, canivete e chicote. Assim começou a escravidão, primeiro com o índio, depois com o negro.

E então vieram as indústrias. Tiraram o homem do campo e incharam as cidades. Secaram nossos rios, sujaram nossas águas, poluíram nosso ar.

E ainda hoje, depois de meio século, a história se repete....

Em Santa Cruz, litoral norte do nosso Estado, grande complexo costeiro-estuário, margeado por uma das maiores áreas de manguezal da América Latina, e uma das principais zonas pesqueiras do país, a população local está se mobilizando contra a implantação da Thotham. Esta empresa de mineração visa a exploração de algas calcárias em toda a região, numa distância a partir de 800 metros da praia. Tal proximidade acabará comprometendo a reprodução de várias espécies marinhas, resultando na diminuição da produção pesqueira, causando um estrago que pode chegar a afetar até Abrolhos e Cabo Frio, segundo Laudo Técnico do biólogo e naturalista André Ruschi, diretor da estação de Biologia Marinha de Santa Cruz.

Revoltados, os moradores da região criaram a AMIP- Associação dos Amigos do Rio Piraquê-Açu, e exigem que seja criada uma área de proteção ambiental.

Antes, os portugueses levavam nossas riquezas em troca de bugigangas. Hoje estão dando cesta básica e calendário.

Para ganhar apoio da população, a Thotham está prometendo 120 empregos, o que na realidade não condiz com o documento entregue pela própria empresa à Secretaria Estadual do Meio Ambiente: serão apenas 33 funcionários, a maioria técnicos especializados. Teremos essa mão de obra? Obviamente não.

Santa Cruz está prestes a ser devastada por capitalistas inescrupulosos e mentirosos.

Não podemos deixar essa barbárie acontecer sob nossos olhos. Vamos lutar por nossa terra, para podermos ter o que comemorar de verdade daqui a 500 anos.

Participe do movimento enviando correspondência para a AMIP:guidomm@zaz.com.br

Espírito Surf

Hoje vai ao ar no site mais capixaba do mundo, o capixabaon, a revista Espírito Surf. Em sua segunda edição impressa, a Espírito Surf exibe alta qualidade gráfica. O endereço é www.capixabaon.com.br

Agendão pá-pou não tem caô. Demorou!

Hoje (sexta) tem rave com muito ‘técnico’ no Espaço Cultural SOS Jacarenema, na Barra do Jucu. Sabadão é révi métchu puro a banda The Rover apresenta o seu já manjado (mas nem por isto deixa de ser uma boa pedida) show Tributo, uma homenagem à Trinca Sagrada do rock pesado: Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple. O SOS funciona na Av. Beira-Mar, Pico do Cemitério, onde antes existia o Rockypoint.

Já no bar do Ronë, sábado tem showzeetos grátis com as bandas Sasquatch! e Bomba Relógio.

4 fevereiro 2000


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