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[Pedro Maia]
Medida mais do que errada


"Quando nós afirmamos que o Espírito Santo é um lugarzinho difícil de ser compreendido e analisado algumas pessoas nos chamam de pessimistas e detratores."
Quando nós afirmamos que o Espírito Santo é um lugarzinho difícil de ser compreendido e analisado algumas pessoas nos chamam de pessimistas e detratores. Mas vejam os distintos leitores o que acontece dentro da Secretaria de Educação do Estado, um dos mais importantes dentro do contexto social de qualquer comunidade.

De um lado o Governo gasta uma grana - bem gasta por sinal - criando o Programa Educacional de Resistência as Drogas e a Violência - o PROERD - onde um grupo de trinta abnegados policiais da Policia Militar (a propósito nossos parabéns pelo l66 anos) se desdobram para orientar os quase sete mil alunos da rede educacional capixaba no sentido de um melhor comportamento social e, principalmente, visando mostrar aos jovens estudantes o perigo do uso das drogas. Este elogiável trabalho tem dado resultados mais que positivos e não são poucos os alunos que procuram esta turma de policiais em busca de conselhos para se livrarem da séria ameaça do uso de tóxicos.

Pois bem! Por outro lado uma senhora, diretora de um dos mais importantes educandários da Rede Estadual de Ensino, a tradicional Escola Maria Ortiz que pertence a mesma Secretaria de Educação, expulsa, ou melhor "transfere" nada menos de 72 alunos aos quais classifica como "envolvidos com tóxicos". Que nos perdoe esta senhora, dona Graça Schwartz, mas ela com esta atitude discriminatória - e até absurda - em nada colaborou para resolver o problema dos meninos e muito menos da escola que dirige. A distinta educadora afirma que este jovens "traficavam drogas" dentro do Maria Ortiz. Ora minha senhora, ninguém "trafica" droga dentro de escola. Perto das escolas sim, esta atividade criminosa é uma dura e incontestável realidade.

Dentro da escola o que acontece - e todo mundo sabe que acontece - é a malandragem do usuário mais antigo que, visando gastar menos, explora o seu colega que está se iniciando no vício. É claro que este espertinho é pernicioso ao sistema de disciplina escolar. Mas será que uma expulsão sumária vai resolver o problema? Ledo engano de dona Graça! Aquele novo usuário com o tempo vai se transformar em um viciado mais experiente e vai fazer a mesma coisa que fizeram com ele, ou seja, vai repassar um pouco do bagulho para assim economizar uma grana.

O certo, em vez de expulsão - ou "transferência" como quer a dona Graça - seria um trabalho mais profundo e racional em cima destes alunos, enviando-os para tratamentos especiais que a Secretaria de Educação e o Governo dispõem. Seria uma tentativa humana e equilibrada de livrá-los do vício, o que a tal "transferência " não vai conseguir nunca. Muito pelo contrário...

Para robustecer a sua atitude de "limpar" a escola que dirige afirma a dona Graça que pode reconhecer de pronto quem usa ou não usa drogas. Entre os seus mais de dois mil alunos. Que nos perdôe a distinta educadora mas nesta praia nós nadamos, de costas e de mergulho, há mais de quarenta anos. O menino que hoje fuma um baseado e tiver um bom encaminhamento moral e social amanhã, por certo, vai até rir do que fez nos tempos de moleque.

Caso contrário, sendo discriminado, preso e humilhado, (ou "transferido", como assevera a dona Graça) o baseado vai dar lugar à cocaína, às "bolinhas" e ao famigerado álcool que, indiscutivelmente, é a pior das drogas que, ironicamente, é liberada pelo sistema cretino em que vivemos.

Por força de nosso trabalho e por nosso natural conhecimento do comportamento humano sabemos de muita gente que nos tempos de menino consumiu seus baseados e hoje são cidadãos exemplares, bem colocados na vida e até colaborando para que não aconteça com outros meninos o que poderia ter acontecido com eles, se por acaso tivessem dado o azar de encontrar uma dona Graça no caminho de suas vidas.

Só pelo simples fato de estar estudando um jovem não pode - nem deve - nunca ser taxado de "traficante". Bandidos mesmo estão nas ruas e são problema para polícia. Quem estuda deve ser tratado como tal mesmo dando de vez em quando um ou outro escorregão. Aí é que se sabe o mestre que se tem...

Que nos desculpe da dona Graça mas a maneira como pensa e age não tem graça nenhuma!!!


04/04/2001


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