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RUBINHO
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30 ANOS DO FESTIVAL DE GUARAPARI
foto arquivo Rubinho Gomes
Nos dias 13, 14, 15 e 16 de fevereiro de 2.001 estaremos completando 30 anos do Festival de Verão de Guarapari, primeiro e único, pelo menos até agora. Como um dos idealizadores que conseguiram transformar uma utopia em realidade, tenho sido procurado por muita gente ansiosa por evocar aqueles tempos. Desde por quem intencione realizar uma reedição, até por quem me cobre o lançamento de um livro relatando àquele que se tornou a maior reunião de jovens em nosso país em plena ditadura de Garrastazú Médici, uma ousadia inimaginável nos tempos atuais de esbórnia democrática e dureza econômica. Vamos por partes, diria um esquartejador...
Torquato me remete ao mesmo Rio que me acolheu depois do Festival, quando ‘inventamos’ um jornal alternativo chamado “Presença”, de setembro a novembro do mesmo ano de 1971, outra contribuição que demos ao movimento revolucionário de resistência. Foram duas edições de um jornal de circulação nacional que viabilizamos juntamente com personalidades históricas da contra-cultura como Antonio Henrique Nietzsche, Euclydes Marinho, Raul Pedreira, Gracinha e Nelsinho Motta, com colaboradores lendários como Hélio Oiticica, Torquato Neto, Jorge Mourão e seus Archivos Impossibles, Joel Macedo, Antonio Bivar, Zé Vicente, Celso Mendes, Nenna B (quando ainda assinava Atilio Gomes Ferreira), mais todo o pessoal do Teatro Ipanema que estreava ‘Hoje é dia de rock’ do Zé Vicente e tantos outros. Tudo aconteceu porque “tinha que acontecer”, na falta de outra explicação, da mesma forma como Torquato Neto referiu-se ao nosso Guaraparistock como ‘o festival que foi feito porque tinha que ser feito’... Sobre o Festival de Guarapari, vi recentemente fotos obtidas pela jornalista Sandra Medeiros, nos arquivos do ‘Jornal do Brasil’ e ‘O Globo’. Algumas fotos da platéia são especialmente curiosas e merecem ser publicadas em tamanho ampliado em um livro. Vai ser interessantíssimo as pessoas que estiveram lá brincarem de “Onde está Wally”, procurando hoje a própria imagem de 30 anos atrás. Basta saber, por exemplo, onde estão algumas pessoas hoje: Euclydes Marinho escreve a novela “Andando nas Nuvens”, na Globo, claro; só Erasmo Carlos continua parceiro de Roberto Carlos; Os Novos Baianos voltaram a se reunir agora como Os Velhos Baianos e a Menina Baby do Brasil... Em fevereiro de 1971, o festival foi aberto na primeira de suas quatro noites pelo saudoso Chacrinha - “Alô, Terezinhaaaa...” - às 11 e meia da noite daquele 13 de fevereiro, quando muitos imaginavam que o festival iria ser cancelado pela repressão. Pelo palco das lendárias Três Praias, em Guarapari, passaram Milton Nascimento e o Som Imaginário (que encerraram a primeira noite cantando ‘Pra Lennon & McCartney’ - “Eu sou da América do Sul, eu sei vocês não vão saber...”), Ângela Maria (inesquecível cantando ‘O Amor É Meu País’, do Ivan Lins), os Novos Baianos (acabaram se apresentando em todas as quatro noites do festival) e tantos outros. Quando Tony Tornado deu o famoso salto no vazio - ‘o primeiro stagedive do Brasil’, como definem orgulhosos meus filhos hoje em dia...’ - atingindo uma moça na platéia (e depois custeando seu tratamento da coluna) -, os verdadeiros realizadores do festival não estavam mais presentes ao evento. Mas ele já se tornara realidade antes mesmo do hoje ator de novelas da Globo iniciar o seu inesquecível show fechando o festival mais incrível que já rolou no Brasil pela ousadia, pioneirismo e ineditismo, principalmente diante do quadro político reinante, sem contar a juventude e inexperiência empresarial dos realizadores. Éramos tão jovens que o repórter José Casado, hoje um dos mais completos jornalistas brasileiros, com passagens pela ‘Gazeta Mercantil’, ‘Estadão’ e hoje na revista ‘Época’, então com 18 anos, foi o assessor de imprensa do evento... Se até hoje ele tem cara de menino, imaginem em 1971... Espero que os livros em produção saiam antes que se completem os 30 anos de realização do Festival de Guarapari, recentemente evocado em programa televisivo global de Luis Fernando Guimarães e Pedro Cardoso. Em caso de sua reedição, no entanto, espero que ela não ocorra para repetir o repeteco de Woodstsck realizado este ano nos EUA, quando tudo o que conseguiram foi mostrar que os espectadores não se contentam mais apenas em assistir a Jimi Hendrix colocar fogo em sua guitarra. Agora, eles querem colocar fogo no festival inteiro... Voltaremos ao assunto, até porque pretendemos falar em breve do que os cinco integrantes do conjunto anarco-musical Os Mamíferos representaram para a cultura capixaba. Afinal, eles foram uma das motivações maiores para a idealização e realização do Festival de Guarapari. Por isto mesmo, serão assunto das próximas colunas. 01 outubro 99imprimir | fechar |